terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memórias...

 
Tédio é um saco, é arma na mão dos ansiosos. Mexe daqui, mexe de lá. Aí faço as unhas, atualizo minhas redes sociais, ouço música, mudo os móveis de lugar e ainda sobra tempo. O que fazer? Pra onde fugir? Hora de dar uma geral no quarto. Arrumo a cama, as roupas, as gavetas e de tanto procurar o que não perdi, encontro o que não devia. Um passado enterrado há tempos. Enterrado, apagado e esquecido vindo à tona. Sabe, não sei dizer o que fui numa outra vida, mas tem algo que posso afirmar com toda certeza, herdei características extremamente egoístas a ponto de não abrir mão de nada. Qualquer coisa em minha mão vira motivo para virar recordação. Papel, bilhete, flor, data, telefone, cartas, anotações e qualquer coisa do gênero. 

Encontrei uma caixinha onde está grande parte do meu passado. Ao abri-la pude sentir claramente o cheiro de nostalgia. Um passado de felicidade e tristeza, chegadas e despedidas, amigos e amores. E é onde minha mente começa a procurar respostas para o que, de fato, nunca foi uma pergunta. Me recordo dos meus amigos que mudaram de cidade, das pessoas que cruzaram minha vida por pouco tempo mas que deixaram marcas tão profundas, quase impossíveis de serem apagadas. Lembrei dos meus ex. De tudo. Estava, literalmente, assistindo a um filme da minha vida sem nem ao menos ter saído do meu quarto. "E se eu tivesse dado uma segunda chance? Se tivesse sido mais flexível? Se tivesse atendido a ligação? E se...?" 

Perguntas perturbadoras tentando me tirar o sono. Olho no relógio, releio as cartas e vasculho a mente. Nunca acreditei em segundas chances. Sempre defendi a ideia de que se uma pessoa fez uma vez, fará uma segunda e sim, estou generalizando. Qualquer que tenha sido o erro, ele se repetirá. Abandonei pessoas sem pensar duas vezes. Machuquei aqueles que queriam o meu bem e me machuquei. Fiz o que julgava certo sem pensar nas consequências. Me afastei daqueles que só queriam minha presença. E nessa noite tudo parece tão errado, tudo o que parecia irrelevante e certo, soava absurdamente perturbador. As dúvidas e a busca por notícias no meio da noite assassinam a lucidez e dão lugar a neurose. A saudade e o medo de ter tomado a decisão errada faz com que tudo pareça certo, que tudo seja aceitável. 

A nossa mente tem o péssimo hábito de nos mostrar o passado melhor do que ele realmente foi. E é daí que surgem as ligações inesperadas, as sms e aquele simples "Nossa, você sumiu! O que tem feito da vida?", aquela ligação que parecia inocente, no fim da noite se torna a coisa mais estúpida que você já fez. Quando bate a vontade de saber notícias das pessoas que mandei embora da minha vida, é um alerta de que elas estão seguindo em frente. Sexto sentido, intuição. Chame do que quiser, mas meu corpo sempre avisa quando estou perdendo algo para sempre. Então quero uma reaproximação, uma conversa, uma notícia, qualquer coisa que me tire o desgosto trazido com a onda do passado, da monotonia, que me tire daqui. E é quando bate o desespero. Não há o que fazer. A chamada terminada, o quarto bagunçado e um único pensamento na cabeça: Quando me bater o tédio novamente, vou me lembrar de simplesmente assistir um filme ou tomar um drink, quem sabe...

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